domingo, 3 de janeiro de 2010

Dogville

Este texto é ainda mais antigo. Também republicado na mesma data de A Vila, porque resgatei do outro multiply.

Sugiro observar com cuidado as duas primeiras semanas de Grace em Dogville e perceber as advertências dadas a ela por Chuck e, sobretudo, por Jason.



Análise do nome de alguns personagens:

Moses. Não é curioso que a vila se chame "Dog-ville"? E que o único cão seja Moisés? E que Moisés não consiga chegar à terra prometida e, neste filme, seja, talvez obrigado a reconstitui-la, absolutamente só? Não é curioso que o único personagem sem pecado seja também o único que resista à cidade (aos 40 anos de peregrinação, que na narrativa bíblica ele não resiste)? Também que seja o único testemunho da cidade?

Thomas Edison Jr. Não é curioso que o "pensador" da cidade seja homônimo do "inventor" da lâmpada? Que luz ele traz à cidade? Não é curioso que a sua tentativa de iluminar seja cada vez mais encoberta por trevas? Um iluminista às avessas, cujos escritos se limitam a pontos de interrogações e alguns monossílabos?


Grace. Não é curioso que Tom considere Grace, quando chega, uma dádiva (gift)? Que ela seja, entre todos, a mais bela, a mais solícita, a mais limpa? Graça, que espalharia alegria na natureza e nos homens. O que Grace ainda não sabe é que sua auto-imposição educativa, seu próprio teste, irá testar todos ali.

Achilles. Não é curioso que o herói grego, conhecido por invencível, com apenas um ponto frágil, seja exatamente o mais indefeso dos personagens? Se o bebê seria um Aquiles, imune à degradação humana totalmente presente em Dogville – no mundo – não há como saber. Seus irmãos mais velhos (também heróis) não resistiram à degradação. Por certo que não eram heróis tão ilibados assim...

Jason. Não é à toa que o menino tem esse nome. Quem conhece a tragédia de Medéia sabe quem é Jasão. Jasão, confundido com um traidor do rei, foi enviado com os argonautas para conquistar o velocino de ouro na Cólquida. Lá, Medéia se apaixonou por ele, ela que era feiticeira, abriu todos os caminhos para Jasão. Sabe-se que, sem Medéia, o herói não conseguiria cumprir a missão. Jasão, interesseiro, aceitou todas as "facilidades" oferecidas pela jovem. Mas não desposou dela. Levou-a para Corinto, onde lá, ela era estrangeira. Em Corinto, o rei deu a mão de sua filha em casamento. Jasão, sentindo que seu status subiria, abandonou prontamente a amásia. Medéia vinga-se. A história é longa, mas já vimos os escrúpulos do herói Jasão. Não é curioso que Jason seja a primeira pessoa que perceba todo o processo que Grace irá passar? E que, desse modo, seja o primeiro a usufruir diretamente dessa "exploração" a que Grace se submeterá?

Grace é fugitiva de gangsters. A cidade não a acolhe por boa vontade, mas pelo que ela poderia dar em troca. Acontece, e isso é percebido de maneira meio tácita, que a moeda dos moradores é muito menos valiosa que a de Grace. Grace começa a ajudá-los com supérfluos que aos poucos tornam-se necessários. O que os habitantes de Dogville lhe davam em troca? Quase nada no início, flagelos com o passar do tempo. As pessoas de Dogville sabiam bem que não tinham nada para trocar, e a relação entre Grace e Dogville não se deu de "graça". Ao tentarem ocultar que nada tinham para trocar, ao tentarem ocultar sua fraqueza, na mesma medida em que Grace ocultava sua arrogância, seu poder, eles assimilavam o poder e a arrogância de Grace e esta se submetia cedendo, porque eles eram "apenas seres humanos". Jason já havia anunciado isso, durante as duas primeiras semanas-teste de Grace. Quando Grace, tentando tornar-se útil, fora tomar conta dos filhos de Vera. Jason diz que sabe porque ela está ali e diz que ela poderá ficar lá, enquanto fizer o que ele deseja porque assim, sua mãe ficaria feliz. O menino é o primeiro a explora-la. Chuck ainda diz que não há nada que preste naquela cidade, e, se ela gostou da cidade...

São os dois recados das duas primeiras semanas. Será que o véu da sociabilidade só cai após quinze dias? Grace julgava que tinha feito amigos até então. Aos poucos percebemos que Jason catalisa todo o ser social daquela comunidade. Ele se torna o pequeno explorador, que age em seus próprios interesses. Nada muito diferente da atitude lenta e contínua de degradação do ser mais puro em ser mais impuro. Como diminuir o valor de troca? Como fazer com que eles continuem achando que estão dando muito? Mais do que Grace merece? Tornando-se "fortes" aprofundando a "fraqueza" dela. Mas tudo "verdadeiramente" acontece.

Fraco é quem precisa do poder para se dizer forte. Mesmo quem parece estar do lado de Grace, Tomas, é fraco. "É justo alguém ser culpado por ter tido medo?" Sempre temos escolhas, é verdade. Sobre que bases fundamos nossas escolhas? Dogville mostra que o mundo funda suas bases na fraqueza. Pensei que o tema de Dogville era o poder. Sob um certo aspecto é sim. Sob o aspecto de que poder é quantum de fraqueza...

sábado, 2 de janeiro de 2010

A Vila

Escrevi há muitos anos atrás, talvez tenha sido em 2004. Está publicado como 22/12/05, mas foi bem antes, pois eu refiz o multiply por essa época.

Atenção: esse texto contém spoilers!


"A Vila" nos deixa de algum modo incomodados. O gênero do filme, contudo, não é suspense. Nem se trata de mais uma crítica social. O que aparece, com mais relevância no filme, é a transformação simbólica, isto é, a iniciação e purificação rumo ao amadurecimento, em busca do conhecimento.Por isso, convido vocês a entrar no mundo das cores desta vila sui generis.

O amarelo que protege os habitantes da vila das criaturas ameaçadoras é um amarelo escuro, meio mostarda. Pelo simbolismo, o amarelo claro, o amarelo-ouro, o dourado, é cor que ilumina, aparentado ao sol, como o branco. Mas o amarelo do filme é fosco, escuro, como o preto. Cito do "Dicionário de Símbolos": "O amarelo emerge do negro, na simbologia chinesa, como a terra emerge das águas primevas". E também, o Zend Avesta, que tem os olhos amarelos "para melhor penetrar o segredo das trevas". Não é à toa, também, que se diz de quem tem medo: "amarelou". O medo é o artifício usado para impedir a iniciação da segunda geração. A cor amarela, em particular, é ambígua, e cabe muito bem na cor "protetora", posto que "protege" o que é o desconhecido, mas também encobre o engodo, o engano. Se amarelo é a cor da luz, é, aqui, uma luz embaciada.

O vermelho é a segunda cor mais importante da trama. É a cor proibida. E não é à toa, inclusive pelo simbolismo do vermelho. Atravessar o vermelho é atravessar para o outro mundo. O vermelho é a cor da iniciação e, no filme, era exatamente isso que era proibido aos jovens: amadurecer. Os mais velhos criaram um "mistério", as criaturas, mas não criaram ritos iniciáticos a esse mistério. Todos se submetiam no estágio mais primário, o medo. Uma vila que cresceu
infantilizada e parece desejar permanecer assim, exceto por Lucius Hunt, que insistentemente solicita autorização para ir à cidade. Mesmo Hunt, contudo, permanece infantilizado, observe-se como ele chora e assume a culpa pela invasão das criaturas em determinado momento. Além dele, vemos adultos que não cresceram, com sua expressão máxima em Noah. Mas também com a irmã de Ivy e seu futuro marido, que não suporta que lhe amassem a roupa.

É exatamente o adulto mais infantilizado que vai extrair do vermelho as maiores conseqüências. Lucius Hunt chega a dizer que Noah é puro. Se não houvesse a interdição, provavelmente não precisaríamos assistir ao rito de iniciação de Noah/Hunt/Ivy. O interdito atrai Noah e Lucius por perspectivas distintas.

O ditado popular costuma dizer que os caminhos para o conhecimento são o amor ou a dor. No filme, os dois caminhos são percorridos. Só o amor não bastaria para impulsionar a busca pela verdade. Foi precisa a dor, foi preciso estar no limiar entre a vida e a morte, para que o amor seguisse a senda aberta da dor.

O vermelho, sempre que é visto na vila, precisa ser enterrado. Não é interessante que a violência precise ser encoberta, que a dor precise ser escondida? Trata-se de um comportamento evitativo do conhecimento. Noah, Lucius e Ivy são os iniciados pelo sangue, a cor proibida, como repete Noah. O simbolismo do vermelho, no filme, foi invertido pelos mais velhos, por isso a iniciação precisa ser literal – e não simbólica. Só assim se poderia vislumbrar a liberdade. Noah, então, comete o crime, Lucius fica entre a vida e a morte, Ivy abraça Lucius
e, manchada de sangue, percorre toda a vila. Tudo se transforma após o ato trágico. O vermelho – o interdito – banhou a cidade. Só há um caminho agora, prosseguir na purificação. É isso que o mais velho percebe. Ivy fica responsável por buscar os remédios que salvariam a vida de Lucius.

Ivy empreende a "jornada do herói" e o simbolismo das cores está todo lá. No início a moça cega veste a capa amarelo-fosco e uma das primeiras coisas que lhe acontecem é cair num buraco e se sujar toda de lama escura – preta. Assustada, ela corre, se perde e, sem perceber, pára num campo cheio de flores vermelhas. É quando a criatura vermelha aparece. Ivy vai até o fundo da escuridão, mas, para sair do mal, do negro, ela precisa ser iniciada, atravessar o
vermelho, o sangue. Ivy, então, conduz a criatura à morte. Livre, ela pode agora se purificar e é o que faz, localiza o caminho indicado, tira a capa quase totalmente negra e, exceto por seus pés, ela está totalmente limpa. Neste momento, ela pode caminhar em direção à verdade, pois só a verdade pode salvar Lucius Hunt, ele que já tinha percebido que todos na vila guardavam segredos.

Quando Ivy consegue sair dos limites da vila, é que nós percebemos o tamanho da atrocidade para com aqueles jovens infantilizados. O fio de esperança está na surpresa de Ivy quando ela encontra o guarda que vai ajudá-la: "Eu não esperava por isso". Ela não esperava a bondade fora da vila. Se algo muda a partir daí? Como pensar que não?

Noah morre porque não percebe que entrar em contato com o vermelho é purificar-se, morre ao se fixar no pretensamente divino: ele sai de si, assume o mistério, perde sua identidade, não transcende – não há transcendência. Noah morre duas vezes: a primeira como humano e a segunda como pretensa criatura dos mistérios.

Ivy volta à vila renovada, transformada. Ela não usa a capa "protetora" no caminho de volta; retorna à vila tão limpa e clara como quando chegou à cidade. Ela sentiu a verdade.

Lucius só poderia ser salvo pela verdade. Ele é a materialização da jornada de Ivy, pois está entre a vida e a morte. O que morre aí? Acho que não preciso dizer. Há a morte para que outro Lucius Hunt possa viver. Assim como é outra Ivy Walker que retorna da "jornada do herói".

"A Vila" é um filme iniciático, da mais profunda transformação. Iludem-se os mais velhos que pensam que poderão manter a nova geração na ignorância após a jornada de Ivy e Lucius.

Morin assistiu à "Querida Wendy"? Von Trier e Vinterberg leram Morin?


Este texto foi escrito dia 25/03/2006.


O final de Querida Wendy não é redentor como o final de Dogville, apesar de toda a violência no clímax. Ambos os lados de Querida Wendy são extremamente parecidos. O poder já está nas mãos de cada um, sua arma. A diferença é que alguns têm o "direito" de ter o poder, outros, não.

Os adolescentes dão novos ares à sua vida insegura e marginal ao tratarem suas armas de um modo amoroso e até sexual. Embora o sexual aqui seja bem ambíguo, ao tomar a "arma" ora como alguém, uma pessoa a ser amada, ora como um mero objeto sexual, objeto possuído.

Vemos, durante o filme, o crescimento da auto-estima de cada um deles, assim como seus potenciais e desejos que vão tornando-se reais. Um a um, inclusive através do final pouco redentor.

Se vemos o filme como crítica (ao belicismo norte-americano, ao cinema americano), é porque ele é direto e absurdo. Não levanta uma bandeira. As armas estão bem colocadas no filme, só esse instrumento poderia trazer a auto-estima dos jovens e levá-los à morte. Com qualquer outro objeto, sua auto-estima poderia até ser recuperada, mas eles não morreriam com fama, glória e prazer. Sim, prazer. Esse é um dos temas do filme. Aquiles, à sua época não fora advertido dessa terceira possibilidade na morte abreviada. No filme, são jovens que morrem cedo, com fama, glória e prazer.

É um filme esquisito. A gente sai ambígua do cinema. Eu, em particular, fui assistir por puro acaso. Entrei no cinema sem nunca ter lido sobre o filme, sem nem saber do que se tratava. O filme é chocante e absurdo. E absurdamente divertido e tenso, leve e pesado. Ainda não decidi onde mais estava a violência do filme (afora a violência explícita das mortes etc e tals).


Além disso, o elemento "extra" ao clã formado pelos adolescentes - que criaram toda uma "ciência" no uso das armas - os considera loucos, tem uma relação muito mais "prática" com a arma, acaba participando do grupo por uma contingência, embora não os aceitasse, e, ao final, faz exatamente o que se esperaria de um dos membros. Esquisito? É sim.

Acabei de ler um capítulo do volume 1 do livro de Edgar Morin, "O Espírito do Tempo". Não pude deixar de ver associações com o filme. No estilo da minha amiga Luciene, coloco as citações do texto de Morin:

"Hollywood já proclamou sua receita há muito tempo: a girl and a gun. Uma moça e um revólver. O erotismo, o amor, a felicidade, de um lado. De outro, a agressão, o homicídio, a aventura. Esses dois temas emaranhados, uns, portadores dos valores femininos, outros, dos valores viris, são, contudo, valores diferentes. Os temas aventurosos e homicidas não podem realizar-se na vida; eles tendem a se distribuir identificativamente.
...
"Por um lado, irrigação da vida cotidiana, por outro, irrigação da vida onírica. Dois sóis gêmeos efetuam uma rotação, um sobre o outro. Um aquece com seus raios os fermentos que se desenvolvem na sociedade, o outro dá uma plenitude imaginária a tudo que falta na sociedade. As louváveis aventuras cinematográficas respondem à mediocridade das existências reais: os espectadores são as sombras cinzentas dos espectros deslumbrantes que cavalgam as imagens.
...
"A vida nãio é apenas mais intensa na cultura de massa. Ela é outra. Nossas vidas cotidianas estão submetidas à lei. Nossos instintos são reprimidos. Nossos desejos são censurados. Nossos medos são camuflados, adormecidos. Mas a vida nos filmes, dos romances, do sensacionalismo é aquela em que a lei é enfrentada, dominada ou ignorada, em que o desejo logo se torna amor vitorioso, em que os instintos se tornam violências, golpes, homicídios, em que os medos se tornam suspenses, angústias. É a vida que conhece a liberdade, não a liberdade política, mas a liberdade antropológica, na qual o homem não está mais à mercê da norma social: a lei.
...
"A liberdade infra se exerce abaixo das leis, nos "submundos" da sociedade, junto aos vagabundos, ladrões, gangsters. Esse mundo da noite é, talvez, um dos mais significativos da cultura de massa. Porque o homem civilizado, regulamentado, burocratizado, o homem que obedece aos agentes, aos editais de interdição, aos "bata antes de entrar" aos "da parte de quem", se libera projetivamente na imagem daquele que ousa matar, que ousa obedecer à sua própria violência.

"Ao mesmo tempo, a gang exerce uma fascinação particular, porque responde a estruturas afetivas elementares do espírito humano: baseia-se na participação comunitária do grupo, na solidariedade coletiva, na fidelidade pessoal, na agressividade em relação a tudo que é estrangeiro na vindita (vingança em relação ao outro e responsabilidade coletiva dos seus).
...
"A gang é como o clã arcaico, mas purificada de todo e qualquer sistema tradicional de prescrições e de interdições, é um clã em estado nascente. É o sonho maldito e comunitário do indivíduo ao mesmo tempo reprimido e atomizado, o contrato social da alma obscura dos homens sujeitos às regras abstratas e coercitivas. É por causa disso, aliás, que os jovens, tanto nos subúrbios, como os dos bairros elegantes ... tendem a constituir "bandos", clãs-gangs elementares, para viver conforme o estado natural da afetividade.
...
"O tema da liberdade se apresenta através das janelas diariamente abertas da tela, do vídeo, do jornal, como evasão onírica ou mítica fora do mundo civilizado, fechado, burocratizado... o tema da liberdade se inscreve no grande conflito entre o homem e o interdito. Qualquer que seja a saída desse conflito, e mesmo que o homem finalmente seja vencido ou domesticado pela lei, a revolta antropológica contra a regra social - o conflito fundamental do indivíduo e da sociedade - é colocada, e as energias do homem são empregadas nesse combate.
...
"Bofetadas, golpes, tumultos, batalhas, guerras, explosões, incêndios, erupções, enchentes assaltam sem cessar os homens pacíficos em nossas cidades, como se o excesso de violência consumido pelo espírito compensasse uma insuficiência de violência vivida. Fazemos em toda segurança a experiência da insegurança, isto é, ainda da liberdade, pois "o homem livre é necessariamente sem segurança", como disse Eric Fromm. Fazemos pacificamente a experiência da guerra. Fazemos passivamente a experiência do homicídio. Fazemos inofensivamente a experiência da morte. É preciso insistir nesse último ponto: não é só pela necessidade de fazer a experiência do homicídio que existe a vilência, é também pela necessidade de viver a morte - de conhecê-la.
...
"Um problema central permanece: há um fundo de violência no ser humano que precede nossa civilização, qualquer civilização, e que não pode ser reduzido definitivamente por nenhum dos modos atualmente conhecidos pela civilização. A civilização é uma fina película que pode solidificar-se e conter o fogo central, mas sem apagá-lo. A civilização do conrorto pacífico, da vida sem riscos, da felicidade que quer ignorar a morte será que constitui uma crosta cada vez mais sólida abaixo das energias dementes da espécie? Aqui a resposta ainda é dupla. Se, de fato, a superfície se endurece e torna a se fechar sobre o fogo central, então a pressão interna de decuplica... todas as experiências nos provam que ninguém está definitivamente civilizado."


Quem é Cloé?


Cloé é um dos epítetos de Deméter. De modo bem resumido, Perséfone, sua filha, casou-se com Hades, mas em acordo com ele, por causa da dor de sua mãe, passava uma época do ano nos subterrâneos e o outro tempo, na parte de cima da terra.

"A grande deusa iniciava seu esperado retorno após a aradura, no mês Pianépsion (segunda metade de outubro), com as Tesmofórias, a festa das semeaduras, e era 'presença total', realmente, à época da festa das Clóias, quer dizer, do 'verde', no mês de Posídeon (dezembro), quando, após as chuvas do outono, o trigo e a cevada de Deméter-Cloé cobriam os campos com um manto verde e aqui permanecia até a colheita da última primavera, nos últimos dias do mês de Targélion (fins de maio) e início do mês de Esquirofórion (junho)." (Junito de Souza Brandão)

Cloeh é o esplendor, a força propulsora da vida na terra, personificação de Deméter em um dos momentos clímax do retorno de sua filha à terra.

A imagem foi extraída daqui.

Belíssimo Janeiro


"Ó tu, que com dardo que flama
Partes do gelo da minha alma
Pra que ela se lance fremente
Ao mar de sua suprema esperança:
Sempre mais clara e mais sã,
Livre na lei mais amorosa - 
Assim exalta ela teus milagres,
Belíssimo janeiro!"

E para terminar:
"Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: - assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas."

Todo janeiro anuncia um novo tempo, aproveitemos o instante, porque ele passa muito rápido... já passou! E como vale a pena um instante de sorriso, de deleite...

Feliz Janeiro! Feliz 2010!!!

Os dois textos aspeados são de Nietzsche, não me canso de citá-los, sobretudo o segundo, que acho muito belo e profundo!


Ano novo...

... coisas antigas que se mudam.

Vou fechar meu multiply, aos poucos, trarei as coisas que estão lá para cá.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Agora International Website - Cornelius Castoriadis


Mais um pouco de história.

A dissertação de Mestrado que escrevi abordou o pensamento de Cornelius Castoriadis. Entre 1998 (ano que defendi) e 1999, publiquei dois artigos sobre o autor. Descobri, faz algum tempo, um website que direciona tudo que foi publicado na internet sobre Castoriadis em várias línguas e meus artigos estão citados .

Os artigos são A apropriação do "conceito" grego de Caos no pensamento de Castoriadis e Aspectos da criação no pensamento de Castoriadis.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Instabilidade da lua

 
Horácio novamente. Para ler a tirinha toda, clique aqui, e então localize nas histórias de Horácio, a Página 8.

Em dia de eclipse lunar, cai bem considerar sobre nossos sentimentos, sobretudo aqueles que negamos, reprimimos ou mesmo evitamos.

Stellium 2010 - Divulgação

O astrólogo Eduardo Maia promove um evento tradicional que já acontece há 29 anos, o Stellium.

O Stellium 2010 terá como tema "A Invasão da Criatividade: Senha inválida". O astrólogo sempre inventa títulos bastante criativos para seus eventos. Em particular, este Stellium promete abordar as tendências para o ano de 2010,  ingressos de planetas nos signos, as ocultações e os eclipses do ano, além de tratar do Mapa do Brasil.

O evento acontece tradicionalmente no dia 06 de janeiro, dia dos Reis Magos, que eram astrólogos e que, por isso mesmo, convencionou-se como dia da astrologia, e este ano acontecerá no Teatro do Parque, 20h.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Solsticio de Verão

Hoje o sol entra em Capricórnio, marcando o solstício de verão.
É também a última conjunção exata de Júpiter Netuno. Para ler mais, aqui, procure o artigo "2009, o ano do delírio".

domingo, 20 de dezembro de 2009

O bem maior, a paz, o amor e Deus - Mensagem de fim de ano


Ok, vamos ser utópicos, mas também realistas, tá?

Vou começar com o título da canção que escolhi para a mensagem natalina.

"Guerra dos meninos", de Roberto e Erasmo Carlos. Gosto deste tipo de título fala da música, mas não tem nenhum trecho, na música que o contenha. E mais, que a gente seja conduzido a pensar, antes mesmo de ouvir a letra. É música da minha infância, acho até que cantávamos no colégio, na aula de religião. Até a procurei faz algum tempo, sem lembrar no nome dela.

A palavra "guerra", no senso comum, dá nos nervos, mas, convenhamos, que a guerra não precisa ser necessariamente destrutiva. Há forças que nos impedem de agir, ainda assim nós podemos superá-las (entramos em guerra com essas forças) - isso soou Marte retrógrado. No entanto, não significa que seja preciso derrubar o inimigo, posto que crescemos com ele. Aprendemos a nos conhecer no embate, o inimigo nos ensina as nossas falhas, os nossos erros, os nossos vícios. Quando penso nesse assunto sob a forma imagem, lembro-me sempre de Heráclito, para quem Harmonia, filha de Marte (deus da guerra) e Afrodite (deusa do amor), concilia os contrários, donde, a partir de um conflito, de uma disputa, temos a união em torno de algo maior. Diante da tensão entre as cordas e a madeira, na lira, temos a harmonia musical. Este é apenas um exemplo para que não julguemos a palavra "guerra" no sentido corriqueiro.

E a "guerra" é dos meninos. Das crianças. Bom... vamos à letra.

"Hoje eu tive um sonho que foi o mais bonito
Que eu sonhei em toda a minha vida"

Estamos no campo de Urano-Aquario, se pensamos sonho como ideal. Mas tambem no de Netuno-Peixes, se pensamos sonho como pensamento noturno e utópico. Continuemos...

"Sonhei que todo mundo vivia preocupado
Tentando encontrar uma saída
Quando em minha porta alguém tocou
Sem que ela se abrisse ele entrou
E era algo tão divino, luz em forma de menino
Que uma canção me ensinou"

A música é bonita, com uma mensagem de esperança, mas não uma esperança vazia, porque conclama a um pensamento unido em prol de um ideal. Aliás, muito mais do que um pensamento, uma ação:

"Tinha na inocência a sabedoria
Da simplicidade e me dizia
Que tudo é mais forte quando todos cantam
A mesma canção e que eu devia
Ensinar a todos por ali
E quantos mais houvessem para ouvir
E a fé em cada coração, na força daquela canção
Seria ouvida lá no céu por Deus"

Olha só quem é essa criança, "luz em forma de menino"... e onde ele encontra ressonância na canção:

"E saí cantando meu pequeno hino
Quando vi que alguém também cantava
Vi minha esperança na voz de um menino
Que sorrindo me acompanhava
Outros que brincavam mais além
Deixavam de brincar pra vir também
E cada vez crescia mais aquele batalhão de paz
Onde já marchavam mais de cem
De todos os lugares vinham aos milhares
E em pouco tempo eram milhões
Invadindo ruas, campos e cidades
Espalhando amor aos corações"

Aonde essa união nos conduz? Essa canção é, no sonho, ouvida no céu. E assim, concluo essa canção emocionante com desejos natalinos:

"Em resposta o céu se iluminou
Uma luz imensa apareceu
Tocaram fortes os sinos, os sons eram divinos
A paz tão esperada aconteceu
Inimigos se abraçaram e juntos festejaram
O bem maior, a paz, o amor e Deus"

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Curso de Astrologia & Cinema - Divulgação


O astrólogo Edil Carvalho vai começar um curso que une Astrologia e Cinema mês que vem, no Rio de Janeiro:
dias:

14 aulas, sempre às quartas e quintas de 2010
janeiro: 13/14, 20/21, 27/28
fevereiro: 03/04, 10/11, 24/25
e março: 3/4

horas:

das 18:30 até as 21:30 hs

realização:

Centro Cultural da Justiça Federal
Av. Rio Branco, 241 - Centro - Rio de Janeiro
http://www.ccfj.trf2.gov.br/

Amigos cariocas, é imperdivel!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Luau astronômico

Hoje é o dia, aqui em Recife.

sábado, 7 de novembro de 2009

Academia Celeste


Post de divulgação. Trata-se do Academia Celeste, blog dos meus amigos astrólogos e estudiosos da astrologia.

"Somos pessoas interessadas em investigar a Astrologia de maneira crítica, examinando-a inclusive pela perspectiva de outras disciplinas, como a Filosofia, a Antropologia, a História, a Psicologia etc. O trabalho proposto não se reduz apenas a um diálogo interdisciplinar, mas é um estudo aprofundado do próprio saber astrológico e suas implicações. Nosso propósito é estimular e produzir reflexões sobre a Astrologia. Nossa meta é compartilhar o conhecimento produzido, desenvolvendo, sobretudo, a escuta do trabalho alheio e o debate construtivo. Dessa maneira, é possível proporcionar o aprimoramento das pesquisas realizadas, sejam elas desenvolvidas em parceria ou individualmente. Nosso espírito está norteado por este desejo: compartilhar a Astrologia de uma maneira crítica, sem dogmatismos. Por isso, pouco importa a formação acadêmica do participante, e, sim, a disponibilidade pessoal para pesquisar e fazer circular o conhecimento astrológico. Reúnem-se aqui estudiosos da Astrologia que comungam das ideias aqui manifestadas. Portanto, sair do isolamento intelectual e compartilhar a própria produção textual é tarefa comum de todos nós."

Sling e Astrologia


Depois de tanto tempo com dificuldade de conexão, estou de volta!

Aliás, de volta com algumas notícias bem antigas, como a do dia 20/06/2009, Slingada com bolo e mapas promovida pelo Casulinho, da minha amiga Mariana.

Na verdade, foi um encontro super-descontraído, super aconchegante, lúdico e simples, para mamães que usam o sling ou que desejavam aprender a usar. Mariana promove esses encontros e sempre chama alguém para conversar sobre assuntos importantes para os bebês, como shantala e astrologia. No dia 20 de junho nós nos juntamos e conversamos sobre mapas infantis.

Quem quiser ler mais, tem aqui.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Jerusalém e o simbolismo do Centro do Mundo


Texto de uma amiga e colega, Maria Dulce Figueiredo, sobre Plutão em Capricórnio, publicado na Constelar.

Parabéns, Dulce!

"A presença de Plutão em Capricórnio coloca em questão o simbolismo da pedra e a tradicional concepção do Axis Mundi, o eixo do mundo que conectava o homem ao Cosmo. Estamos prestes a perder a referência do sagrado?

Este artigo sintetiza palestra proferida pela autora em evento conjunto realizado pela CNA e por astrólogos do SINASPE em Recife, em junho de 2008. A partir de uma sugestão da astróloga e professora de Filosofia Martha Perrusi, todos os palestrantes desenvolveram temas relacionados ao simbolismo da pedra e de sua destruição, em alusão ao ingresso de Plutão em Capricórnio."

XIX Simpósio Nacional de Astrologia do Sinarj


Neste ano o Simpósio será ainda no 1º semestre. Fui convidada para participar, juntamente com minha Professora Bete Rua em um painel.

O tema geral deste ano será Tensões, Crises e Superação: A humanidade frente aos conflitos criando soluções. Fomos convidadas e nos colocaram juntas, porque temos algo em comum. Além da astrologia (Bete foi uma de minhas professoras), caminhamos juntas na filosofia. Na época em que estudei com Bete, ela fazia especialização em Historia da Filosofia e acabou se encantando com Nietzsche. Daí, decidimos que nosso tema seria: O Maior dos Pesos e o Homem Trágico: como afirmar a vida e recriar valores.

Bete também apresentou um trabalho no Congresso do ano passado, obtendo o 4o. lugar, com o tema Plutão como esquecimento, em que já trabalhava os temas astrólogicos com os recursos conceituais do pensamento de Nietzsche.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

"É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre."


A expressão "Feliz CotidiAno Novo", que considerei muito feliz, é de Bia Bedran, não há nada que não seja novo, se não for trazido pelo dia a dia.

Bia Bedran me leva à Receita de Ano Novo, de Drummond:

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Com a palavra de dois mestres da nossa língua, desejo a todos, um feliz 2009, cheio de momentos plenos, intensos e ricos!

É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre. Drummond

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

2 anos


2 anos!
Pois é, dois ciclos solares! Já tenho um rapaz dentro de casa, que completou alguns retornos de Mercúrio, fala frases completas, inova e cria! Completou outros retornos de Vênus, continua super-encantador, carinhoso e peralta! Completou, também, o primeiro retorno de Marte e passou a acordar às 4:30 pra acabar com a rotina da mãe, rsrsrs! Como é animado e cheio de energia este rapaz lindo! Só a mãe que fica caindo pelos cantos, morrendo de sono antes das 18:00...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A primeira vez




O blog está parado, mas a astrologia, não!

Comemoro, com vocês, a primeira vez que li o mapa de uma criança, (12/11), o mapa de Inaê, menina linda, cujo nome tem tudo a ver com o mapa, né, Rebeca?

Beijo grande pra vocês, Rebeca e Inaê!